A origem do café no Brasil

A origem do café no Brasil

A entrada do café em território brasileiro ocorreu no ano de 1727, através do oficial português Francisco de Mello Palheta. Nesse ano, Palheta fora enviado à Guiana Francesa pelo governador do Pará, João da Maia da Gama, para resolver problemas de delimitação de fronteiras. Além disso, o oficial português também havia sido incumbido de uma missão secreta: trazer sementes do fruto que, segundo informações fornecidas pelo governador, tinha grande valor comercial. "Acauzo entrar em quintal, ou jardim ou rossa ahonde houver Caffee, com pretexto de provar alguma fruta, verá se pode esconder algum par de graons com todo o disfarce e toda a cautella", teria recomendado o governador ao missionário português. Na visita à Guiana, Palheta não precisou roubar as sementes; ganhou-as de presente de madame d"Orvilliers, mulher do governador de Caiena. Além das sementes, o oficial também trazia, como presente, cinco mudas da planta.

Como estava proibida a saída de sementes e mudas da Guiana Francesa, muitos afirmam que a missão do oficial português teve pitadas de romance e que madame não lhe oferecera somente café, mas outros doces favores. No Brasil, as mudas e as sementes foram plantadas inicialmente no Pará. Dali, o café se disseminou pelo país, passando a ser cultivado em outros Estados. Em 1770, o plantio se iniciava na Bahia. Três anos depois, o desembargador João Alberto Castelo Branco, que foi transferido do Pará para o Rio de Janeiro, levou consigo algumas sementes. Uma das principais áreas de cultivo foi a Baixada Fluminense.

Foi no Rio de Janeiro que a planta iniciou sua notável expansão por outras regiões do país. Diversas florestas foram desmatadas para o café ser cultivado. Um exemplo disso é o local que hoje abriga a Floresta da Tijuca, que teve sua mata nativa derrubada para a plantação de um grande cafezal. O atual bairro da Tijuca era conhecido na época como "área do café". Posteriormente, por volta do ano de 1860, a planta foi erradicada daquela região. Com uma grande estiagem, em 1844, o ministro Almeida Torres propôs a desapropriação das áreas de plantio com o objetivo de salvar os mananciais da cidade. Dessa forma, foi feito um reflorestamento e, com isso, surgiu a Floresta da Tijuca, que atualmente compõe a paisagem da "cidade maravilhosa".

Com o desmatamento de florestas, o café foi ganhando espaço e passou a ser cultivado na Serra do Mar e no Vale do Paraíba. Do Rio, as raízes alcançaram os solos férteis dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, onde hoje ainda se mantém como uma das principais culturas. No final do século XIX e início do século XX, a cidade de São Paulo já era conhecida por "capital do café". Fonte: Coffee Break